domingo, janeiro 25, 2009

Meu barco...

"A solidão é o destino humano" (C.L.)

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Náusea!!

Quem imita quem? O indivíduo imita o comportamento da sociedade, ou a sociedade apenas reflete os comportamentos individuais? Onde ficam a cultura, a educação, os princípios e valores?
Novo ano, novo calvário....visto a minha máscara de “ ok, sei que vcs fazem de tudo para o bem estar de todos” e vou à luta, neste labirinto que é tentar encontrar uma escola que esteja preparada para trabalhar com meu filho. Mais que isto, não basta estar preparada, é preciso disposição, humanidade para aceitar o diferente, o que foge do padrão...aliás, quem definiu este padrão?
Isso me lembra robotização...se não for robozinho, não entra!!
É esta a minha decepção com a educação, com o sujeito que formamos, com as cortinas de fumaça que criamos e nos intoxicamos, acreditando que estamos contribuindo para uma formação humana, critica e transformadora.
Tudo isso só tem valor quando a dor é alheia. Quando a gente assiste da sacada a dor do outro, nesse caso, valem todos os conceitos e teorias que enchem páginas e páginas de livros e dissertações. Palavras e mais palavras em seminários, congressos, etc, etc, etc,...tudo vazio!!!
Onde esta a Lei? Onde está o verdadeiro sentido da educação? Onde está o olhar na pessoa? A aprendizagem voltada para o indivíduo? Sem robozinhos, sem massificação, sem pré-conceitos?
Meu filho, no seu maravilhoso mundo do brinquedo e da fantasia, não faz a menor idéia do que acontece nesta busca de uma “educação formal” para ele.
Infelizmente é esse o mundo que tenho para oferecê-lo, é para esta sociedade que me esforço em prepará-lo.
Minha angustia e revolta se duplica, uma vez que além de mãe, sou educadora....quanta incoerência na ciência em que escolhi como profissão...isso me causa náusea!! E é exatamente aí que volto a perguntar, sem ter uma resposta objetiva: quem imita quem?

quarta-feira, janeiro 07, 2009

Cativar...

E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? Perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:- Que quer dizer “cativar”?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos d uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
...Mas a raposa voltou a sua idéia.
- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando tiveres me cativado. O trigo, que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
E a raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... cativa-me! Disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? Perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mau-entendidos. Mas, a cada dia, te sentarás mais perto...
No dia seguinte o principezinho voltou.
- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração...É preciso ritos...... ...Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Quis, disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! Disse o principezinho.
- Vou, disse a raposa.
- Então, não sais lucrando nada!
- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.
Depois ela acrescentou:
- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.
Foi o principezinho rever as rosas:
- Vós não sois absolutamente iguais a minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativaste a ninguém. Sois como era minha raposa. Era uma igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Agora ela é única no mundo.
E as rosas estavam desapontadas.
- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é porém mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob uma redoma. Foi a ela que eu abriguei com o paravento. Foi dela que eu matei as larvas ( exceto duas ou três borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.
E voltou, então, à raposa:
- Adeus, disse ele...
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
-Foi o tempo que perdeste com a tua rosa que fez tua rosa tão importante.
-Foi o tempo que perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não deve esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...
- eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

(Trecho do livro "O pequeno príncipe" - livro de miss...hehehe...mas eu sempre adorei!! Ah, e nunca tive o menor interesse ou vontade de ser uma miss!)

terça-feira, janeiro 06, 2009

Noventa passos...





"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares.


É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos". (Fernando Pessoa)





É nesse tempo que se encontra o meu presente...tempo da travessia...

Parece repetitivo, redundante, mas é um tempo novo, como eu mesma, sou nova hoje, e o serei mais nova ainda amanhã.

Nesta travessia, cada passo uma [re]descoberta dos sentimentos, todos, primitivos ou não, a alegria, o espanto, a surpresa, a expectativa, a saudade...

O que gosto mesmo é dos significados, daquilo que realmente toca, fica...é este o sentido: existir a partir da minha essência, daquilo que este caminhar me imprime e me enriquece. Uma riqueza minha, porém, muito além de mim.

Penso agora: como foi importante ter dado o primeiro passo nesta direção, já não há mais como parar ou voltar.... e isso é magnífico!!